segunda-feira, 14 de março de 2016

Incoerência

A cada dia me convenço as redes sociais são disseminadores de discórdia ou um palco para demonstração da vaidade, da qual me incluo (inclusive,por isso, uma certa incoerência da minha parte, eu sei).
Em muitos momentos, parece que estamos escrevendo emails com cópias ocultas pois, ao nos dirigirmos a uma pessoa, envolvemos todos os nossos amigos (serão?). Quem trabalha com conflito, sabe que isso é uma das fases de tentar construir alianças para destruir a outra parte.
É lógico que o "animal" do conflito pede a minha posição (afinal, de que lado você está, estúpido?) e eu, sem muita consciência, acabo o alimentando. No momento que teclo "Enter", não sei o que vai acontecer mas tudo bem, falei. Isso é ser livre? Livre do quê se reajo às provocações e armadilhas que nós mesmos nos colocamos na vida.
Nossa desculpa é que, em busca da verdade que defendemos ou da transparência, todos devem saber das coisas e das minhas posições.

É fundamental nos posicionarmos e nos colocarmos a serviço da evolução do mundo.
Estou em busca de formas que estimulem o diálogo e não monólogos cheios de ironia e "verdades absolutamente parciais", fruto da minha capacidade de percepção ou argumentação. Toda verdade que emito é parcial e, portanto, não é verdade (nem esta que escrevo). Fatos que englobem mais pontos de vista e que, juntos com outros diferentes, façam emergir a verdade. Essa deveria ser a busca.

Adoro a tecnologia e estou me servindo dela agora para divulgar este pensamento. Mas, dividido, não sinto que ela esteja promovendo uma melhor convivência. Para nenhum dos lados, para nenhuma direção.

Murais feitos por 30 pessoas, completamente diferentes, com uma busca semelhante 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quando é que ela volta?

É muito difícil para um rapaz nascido nos anos 60, numa família de classe média alta, ficar indiferente ao filme "Que horas ela volta?". Retratando, de uma forma simples e com situações bem reais, o cotidiano da relação de patrões e empregados, o filme de Anna Muylaert é um achado. 

Em vários momentos me lembrei das diversas empregadas domésticas que habitaram o pequeno quarto de empregada de nosso apartamento e quantas eram consideradas como parte da família até que algo ocorresse - o sumiço ou a quebra de uma peça, uma esticada no final de semana, uma palavra mal dita. A cena da festa, em que Val, brilhantemente representada por Regina Casé, serve aos convidados que sequer olham ou lhe agradecem é representativa de uma época. Não olhávamos diretamente para aqueles que nos serviam, não sabíamos das suas biografias, não agradecíamos com palavras o serviço prestado. Tenho dúvidas se os verbos utilizados no tempo passado não poderiam ainda ser utilizados no presente.

Em muitas situações do cotidiano ainda percebo este tratamento de menor valia com aqueles que nos ajudam a colocar as coisas em ordem. Em casa, talvez as coisas tenham melhorado mas em muitas organizações teimamos em não nos aproximar das dores e das questões de vida dos hierarquicamente menos afortunados. O valor do salário e seus respectivos aumentos acabam, muitas vezes, tornando uma obrigação o bom serviço das máquinas-pessoas. 

Claro que já estamos melhores! Claro que isso, num contexto temporal, diminuiu. Mas, ainda, temos um longo caminho a percorrer e várias perguntas a responder para equilibrar nosso tecido social. 

Uma vida social saudável só será possível quando ela, a nossa consciência, voltar das suas viagens de conquistas materiais e reconhecer que a jornada em busca da harmonia deve integrar as diferenças. Quando restabelecermos a confiança no humano, recomeçaremos a trilhar um novo espaço de convívio, onde a importância não se medirá pelas maiores aquisições de bens e serviços mas pelo gesto de reconhecer as contribuições de todos e a nossa interdependência para uma vida em comunidade. 

Gestos pequenos como o perguntar do nome do garçom que te atende, um obrigado e boa noite ao motorista do ônibus do aeroporto que te leva até o avião, o querer saber como as pessoas chegam até o seu escritório, entre outros. Experiências de gentileza e interesse que começam, paulatinamente, a mudar uma sociedade. 

Só nos resta saber: quando é que ela, a nossa consciência, volta? 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Até o começo de tudo!

Sempre me dizem que escrever ajuda a exorcizar os fantasmas. Ontem, até me controlei para não sofrer com a derrota brasileira mas a noite me trouxe imagens do desespero de quem não tem mais nada a fazer a não ser ficar de cabeça erguida e aceitar o que não pode ser mais revertido. 

Mas, hoje, me lembrei de um filme visto no último domingo - Até o fim - um monólogo com Robert Redford (aliás, injustiçado no Oscar deste ano). Nesta pequena obra-prima, um homem (não sabemos nem o seu nome) está no meio do Oceano Índico, sozinho, no seu barco, quando um container bate e fura o seu barco, destruindo os seus equipamentos de comunicação. A partir daí, uma série de desventuras acontece até o fim do filme. E, a cada novo desafio, ele tem que se desapegar das coisas que levava e, com resiliência e criatividade, mantém a sua principal essência - lutar pela vida. 

Logo depois de assistí-lo, me veio imagens da alegoria sobre a nossa vida e as crises que enfrentamos. Quantas coisas, nestes momentos, se tornam acessórias ? Por mais que demoremos a entender e aceitar as perdas, elas acabam nos deixando mais livres e mais próximos daquilo que, realmente, nos motiva e nos mantém eretos e vivos - a essência de cada um. 

Mesmo tentando comunicação, o protagonista não é escutado, e a cada momento vai ficando mais sozinho e com menos recursos externos para continuar vivendo. Até que a única coisa que o mantém com chances de sobrevivência precisa virar cinza ! Nos nossos piores momentos, nos sentimos assim, sós e com poucos recursos para lutar. 

Mas, aí, o "impossível" acontece! Aliás, não é o impossível mas aquilo que resgata o necessário para a nossa vida. Aquilo que faz com que recomeçamos a viver com todas as qualidades. É assim que saímos das crises e escrevemos mais capítulos da nossa história. 

E a relação com o jogo de ontem ? Para mim, a derrota (um container e todas as desgraças que acontecem no filme) acabou revelando, no fundo do mar, quase sem ar, que a nossa essência não está em ser uma pátria de chutarias mas na alegria de viver que é única deste povo, que é admirada e desejada por quem nos visita e que nos mantém diferentes e únicos. 

domingo, 11 de maio de 2014

Do envelhecer com juventude

Talvez poderia negar e dizer que não tem nada ver mas esta reflexão, é claro,  tem a ver com os meus 50 anos! Uma data bem legal de ser comemorada mas olhando para os próximos tantos anos com a pergunta : como envelhecer?

São tantos exemplos bons e ruins ao nosso redor. Da amargura de uma expectativa não realizada, de uma paz não alcançada, da angústia de não ter sido aquilo que se esperava de si próprio (ou do que esperava do mundo!) a corpos já com as marcas do tempo e o espírito jovem completamente preservado. Com certeza, lembramos de pessoas que preenchem quaisquer destas "classificações".

Acabei de ter uma semana onde se provou a necessidade da renovação como a fonte de um envelhecer mais saudável em todos os sentidos.

Começando na 2a. feira, no diálogo com jovens talentos que estamos promovendo sobre o tema de Organizações Saudáveis, com o bate-papo com o Dr. Ronaldo Perlatto. Convidamo-lo para falar de Salutogênese, ou sejam, das causas da saúde no ser humano. Apesar da estranheza, pois estamos acostumados a falar da Patogênese, a origem da doença, explorou-se as condições de uma vida mais saudável. Passando pelas coisas mais comuns - o cuidado propriamente dito com a saúde -, para mim chamaram mais atenção dois aspectos : o cultivo do amor pela ação (e não pelo resultado) e a gratidão pelo que recebemos. No primeiro, principalmente na esfera profissional, vivemos uma cultura de resultados a qualquer custo e esquecemos que o amor pelo que se faz é que sustenta o resultado. No campo pessoal, também. Se o artista só se preocupa com o resultado da sua arte, ele adoece e não aproveita o processo da sua realização. Se nos preocupamos em ficar 100% (seja lá em que!), não vivemos o momento presente. E isto tem relação com a gratidão, com o reconhecer os presentes e os pequenos milagres que recebemos todos os dias. A cultura da falta, do "gap", nos faz críticos conosco e amargos com os outros e a vida.

Na 3a. feira, cheguei em casa e voltei a ser criança. Ganhei uma "Caça ao tesouro"  (Valeu, Sílvio!) como aquelas que fazia quando criança, com charadas a serem descobertas e presentes a serem encontrados em algumas das pistas (além de um lindo cartão no final). Fiquei  curioso, maravilhado e emocionado com as palavras e a dedicação no preparo. Algo que foi feito para que eu me lembrasse do quão especial é ser estimulado a pensar e a encontrar as respostas. Quais são os tesouros que estão todos os dias colocados na nossa frente ? Como voltar a se estimular com as reais brincadeiras ?

E agora, volto de Florianópolis, de um encontro com Daniel e Gudrun Burkhard. Amigos, sócios do destino, sábias crianças nos seus 80 e 84 anos, que nos deram uma lição de simplicidade, carinho, alegria e amor ao nos receberem com suas palavras, sorrisos, abraços e novos projetos de pesquisa.
Dois dias reenergizantes, revitalizantes e que geraram mais certeza sobre o chamado. Eles investindo para um legado para outras várias gerações a partir deles e com uma energia digna de quem está começando, sempre começando. Como sou grato a ter estas pessoas ao meu redor, próximas, que são fonte de inspiração para a vida!

É com muita alegria que chego aos 50 anos e com a esperança de ter aprendido, não só nesta semana, mas com muitas outras pessoas, a saber aceitar os limites do físico e navegar nas infinitas amplidões do espírito.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Momentos em Família - Encontros e Reencontros

Não, não, não! Apesar de ser bastante noveleiro, não irei comentar a novela de Maneco (até porque, se tivesse que falar sobre alguma novela,o faria sobre "Meu Pedacinho de Chão", que não é para crianças apesar das aparências! É para quem gosta de criatividade e boas interpretações). 

Há uma semana, venho tendo momentos de resgate com as diversas famílias que formei ao longo da vida. As de sangue, as da faculdade, as das afinidades culturais, as dos objetivos comuns...Que riqueza trazem estes re-encontros e estas comemorações (da expressão "lembrar juntos"- co- memorar).  

O que é uma atmosfera familiar ? Um ambiente de conhecimento, onde nossos sentidos se colocam mais relaxados, mais disponíveis a entrega. O quanto precisamos deste tipo de ambiente para podermos ser quem somos e sermos juntos quem podemos ser ? O tempo passa numa velocidade absurda, as conversas vão mudando de assunto - fala-se de tudo e de todos, rimos, chorado, nos emocionamos com as infinitas possibilidades. E com a lembrança dos bons tempos - da bondade e da beleza, da infância de brincadeiras e de carinho, da comida da avó (tive duas espetaculares, além das minhas tias!). 

Aquela mesa onde tudo acontece, quando queremos que seja feriado no próximo dia para podermos desfrutar mais. Lembro de uma vez que estávamos em Atibaia (perto de Sampa), jogando bingo em família (umas 40 pessoas) e que rezávamos para que o alguma coisa acontecesse no País para que pudéssemos ficar 3 dias mais. Nem importava quem ganharia o Bingo mas o estar juntos. 

Experimentei estas sensações,novamente, nesta última semana. Começando num almoço de domingo com amigos em casa. Uma deliciosa linguiçada, regada a cerveja e jogos das finais dos campeonatos estaduais. Continuei com uma celebração de Páscoas com meus queridos sócios e, a noite, passei no grupo de jovens com os quais estamos conversando sobre organizações saudáveis. Fui na casa de minha tia para mais uma mesa cheia de alegrias. Até rezei em hebraico com fluidez para que a reza acabasse mais rapidamente e pudéssemos conversar sobre as vidas nos seus mais diversos tempos. No dia seguinte, mais um almoço em família, com bastante risos e momentos de lembranças dos queridos que já foram e de planos de viagens,festas e diversão dos que estavam à mesa.Encontros com amigos para bate-papos, jantar com a galera da faculdade e a mescla das duas famílias - a carioca e a bauruense no Rio - para um final de semana, culminando com o almoço de Páscoa com matzá e chocolate, peixe e salada. 

É claro que a comida fez parte de todos estes relatos mas como coadjuvante daquilo que quer se manifestar - a necessidade de pertencermos a um grupo social e de podermos amar e sermos amados com todas as nossas tradições e contradições. Mesmo para alguém que não tenha boas lembranças familiares, o termo "familiar" é importante pelo conjunto de atributos que acessa o melhor em nós. Quem me conhece, sabe que não sou das tradições mais ferrenhas, que não optei pelos caminhos mais fáceis, mas que, quando se trata de encontrar, quero ter prazer nestes momentos. 

E, justamente, escrevo sobre isto nesta época de Páscoa,judaica ou cristã, que nos lembra de liberdade e de renascimento. E o que isso tem a ver com as famílias ? Se saímos do Egito para formar um povo e renascer na terra prometida, na cruz, morremos para renascer, diferentes, luminosos, livres. E os dois fatos acontecem para nos lembrar do EU e do Nós!

Não precisamos nos reencontrar sempre mas precisamos sempre nos reencontrar. Com os outros, com aquilo que fomos, somos e seremos, com nós mesmos. Em todos os momentos!Criar esta atmosfera de "família" em cada encontro alimenta a alma e ao espírito, fazendo-nos mais fortes e saudáveis. Cada vez mais nós mesmos e nós com os outros!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma "máquina" não escreve "Ela"

Será que um dia substituiremos o calor do contato por uma inteligência artificial que nos faz rir, refletir e não nos julga ?


Temporada de prêmios nos EUA e uma série de filmes desembarcam no Brasil. Entre eles, "Ela" de Spike Jonze. Todos os filmes deste roteirista e diretor tem um altíssimo nível de criatividade nos roteiros e uma inventividade na realização que, às vezes, dificulta a própria universalização da obra. 

Neste filme, um sujeito recém-separado (aliás, muito bem interpretado por Joaquim Phoenix) compra um sistema operacional que pensa e dialoga com seu dono (também maravilhosa interpretação de Scarlet Johansson). Ao acompanhar a história, somos tanto inundados pela humor das situações quanto pela tristeza de imaginar o quanto já estamos próximos deste "futuro" descrito pelo filme. 

Falamos com nossos smartphones, tablets, laptops. Preferimos os jogos e as comunicações virtuais à possibilidade do confronto e do julgamento. Se tornou normal ver gente, nos meios de transporte, grudada em seus brinquedos, sem trocarmos um olhar que não seja de estranheza ou que nos sintamos ameaçados. Todo o aparato de segurança, com suas milhares de câmeras, nos coloca com um sorriso rígido (sim,estamos sendo filmados!) e com medo de estar fazendo alguma coisa que não esteja no padrão desejado. 

Mas, o sistema operacional do filme vai além! É sedutora, bem humorada, acompanha os sonhos do seu dono, propõe momentos de aventura e prazer, evolui, ama e  acaba sendo aceita na sociedade. Uau, a companhia perfeita! Não te critica, está à sua disposição 24 horas por dia, se preocupa com seu estado de humor, é culta e aprende rapidamente. 

Mas, no fundo, a solidão ainda continua no coração humano. E aí, não existe outra forma de curá-la que não seja o encontro com o outro. Afinal, para aqueles que, ainda não entraram 100% no automático (se tornaram inteligências artificiais?!), começam a retornar às origens, buscando momentos de contemplação na natureza e encontros com amigos e familiares. Que gostoso se emocionar com os outros, lidar as dificuldades das relações, crescer e evoluir juntos. Dá trabalho mas isso é ser humano!

Um bom filme,para mim, é assim! Que me faz divertir e que me toca nas questões mais essenciais. Onde percebo que, nem a maior inteligência artificial conseguiria escrever e dirigir algo tão humano e criativo. Não garanto que você vá gostar (gosto não se discute!!!) mas acho que vale a pena arriscar.  

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Somos arquitetos da vida social !

Tenho recebido várias perguntas sobre como se pode desenvolver as lideranças para que as mesmas inspirem as pessoas.  Todos estão preocupados com os resultados e atuando de um modo automático que só lembram de outras responsabilidades da liderança nos “incêndios” ou quando percebem que a moral da tropa está baixa.

Que espaço estamos criando nas organizações para que o empreendedorismo e a  genuína vontade de contribuir floresçam ? Como está a sua percepção do contexto organizacional e grupal da sua equipe? Se você só vê cinza, pode estar deprimido neste espaço. Se está tudo azul, será um momento de euforia?

Qual é a real responsabilidade do líder nos dias de hoje?  Perceber o entorno e as suas necessidades, atuando para responder adequadamente a cada uma delas.

O ser humano pode ser a imagem de Deus mas nossa criação se dá na esfera do social. Somos os criadores da sociedade , da vida em grupo e, sendo assim, do espaço organizacional.

O que faz um bom arquiteto ? Cria um espaço de convívio saudável para os indivíduos.  Um espaço que desenvolva e que responda às aspirações, sonhos e vontades. Apesar das limitações de recursos – que sempre existem -, procura-se a criatividade como saída para driblar estas carências. Quem não se maravilha com os espaços descobertos pelos arquitetos, os usos múltiplos de objetos e móveis ?

Agora, vamos olhar para as organizações e a sua liderança! O quanto investimos em escutar os sinais visíveis e invisíveis dos vários “clientes” que temos ? Vamos fazendo as coisas o mais rápido possível e procurando ganhar o mais possível.

Goethe em 1825, já dizia que “Riqueza e velocidade são os objetos de desejo da sociedade. Quando só nos  educamos para isso, nos tornamos medíocres”. Há quase duzentos anos, os sinais de uma sociedade que só valoriza riqueza e velocidade já eram percebidos.

Poucos deram passos para ampliar esta visão e atuaram para elevar-se a ela. Os que fizeram tornaram-se lideres inspiradores.  Um dos caminhos para esta elevação está no autodesenvolvimento que contemple perguntas genuínas, experiências verdadeiras, a confiança em si, nos outros, no futuro e no mundo além do material, o mundo espiritual.

A integração destas correntes permite com que a liderança trabalhe com imagens, inspire com as palavras e aja com intuição e em conexão com o que o mundo lhe pede.

Não é fácil mas recompensador! Os resultados vem a medida que a coragem nos empurra a sair da zona de conforto e do papel de vítima e nos leva à tensão que gera o frio na barriga. Frio do “sim” que dizemos ao casar – sair do presente com todas as suas respostas sabidas em direção a um futuro com perguntas desafiadoras.


Estar e manter-se vivo é estar no limiar da nossa zona de conforto! Convido-os a viver, a serem líderes de si e criarem esta nova sociedade no nível que você assim almejar!  

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pequeno resumo de tantas vivências de tantas pessoas

Chegamos a mais um final de ano e, depois de muitos percalços, imagino que as vitórias conseguidas por todos são muito expressivas. Terminamos 2012 com as previsões do fim do mundo! Se não aconteceram no nível físico, percebi ,pelas inúmeras conversas com amigos (e pela minha própria experiência), que este ciclo de morte e ressurreição se deu no plano anímico. 

Percorremos um longo caminho, muitas pedras tendo que ser carregadas, outras destruídas, mas no final, um sentimento de plenitude se instalou nos corações. Foi um ano de renovação dos vínculos com o melhor em nós, tendo que enfrentar o pior em cada um. Raiva, decepção, amargor foram,enfim, substituídos por leveza e alegria. Não nos damos conta ao percorrer que o destino nos levará a este ponto e ,por isso, sofremos. Mas, a consciência alcançada ao final nos leva a entender determinadas crises e confrontos.



Uma nova aliança com o espiritual, depois de um dilúvio, se estabelece. O ser humano conhece-se melhor e,com isso, conhece o outro. A liberdade de se fazer escolhas,não de acordo com as regras estabelecidas nem com os hábitos, mas com aquilo que pode trazer evolução aos seres é uma das conquistas deste processo. E praticar gentileza pode transformar os ambientes e criar condições para um 2014 mais amoroso.

Que 2013 tenha sido de bons aprendizados e que 2014 se inicie como um arco-íris de renovação, de conquistas de novas terras e de expansão dos horizontes. Que seja de um ano de muita luz nos corações,nas mentes e nas mãos de todos. Que nossa criança interior se ilumine e revele a maravilhosa aventura de viver em harmonia.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A emoção de um pioneiro



Quanto tempo esperamos pelo reconhecimento de nossa obra ? Quantas dúvidas passam pelo nosso coração sobre a direção que damos aos nossos impulsos ? Serão eles importantes para os outros ? Estamos contribuindo para a evolução da humanidade, das comunidades onde estamos inseridos, de nossa família ao implementar nossas ideias ?

Durante anos, o coração fica apertado! Os resultados custam a aparecer. Temos sinais que os caminhos são adequados, feedbacks de várias pessoas que estamos fazendo o certo mas não nos convencemos. Mas, quando chega a hora, desabamos em um choro de alegria, um não-sei-o-que-eu-fiz-para-merecer-isso, onde a ficha demora a cair.

Acabo de presenciar a emoção de um dos pioneiros do Germinar, Sílvio Urbano, ao receber a notícia de um prêmio internacional dado a uma participante do programa onde é citada a utilização do método do processo decisório como o fator de inovação e que levou- a ganhar esta premiação.

Após um silêncio sepulcral e a um pedido para repetir a notícia, as lágrimas vieram bem devagar. Uma após a outra, inundando os olhos e as faces de quem muito se dedicou a compartilhar vivências  especiais com outros tantos, esperando que os frutos desta semeadura fossem colhidos pelos próprios participantes.

Momento único de reconhecimento que fica na memória e no coração de todo aquele que um dia se colocou como um veículo de uma força de desenvolvimento da humanidade.

Parabéns a todos os pioneiros do Germinar por terem plantado sementes de autoconhecimento ,de transformação social e de paz em tantos cantos, em tantos corações.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Saudades,ansiedades e presentes do bem viver

Nossa! 11 meses sem postar nada! É como se eu não tivesse motivos para comemorar as várias oportunidades de viver bem que este tempo me proporcionou...E como tenho!

Muitas vezes não olhamos para estas chances - janelas e portas escancaradas - que se abrem na nossa frente.Teimamos em olhar para trás com saudade ou para frente com ansiedade, sem aproveitar o momento presente.

Quanta riqueza existe nos pequenos sorrisos e agradecimentos! Como a gentileza é capaz de resolver questões difíceis! Como estar sozinho é estar repleto de companhia! Como uma boa conversa limpa caminhos e ajuda nas caminhadas!

Aliás, quantas caminhadas! Tem uma maravilhosa que ando fazendo com um grupo de amigos no whatsapp ! Damos bom dia uns aos outros, contamos piadas, falamos de trabalho, mandamos energia e intenções de ajuda. Somos contagiados pela força espiritual do grupo e isso é bem viver. 

O presente que o presente nos dá, quando nos damos conta dele, está na singeleza do detalhe que sempre representa a grandeza do todo. Como exemplo, uma foto tirada na turma 98 do Germinar (Belo Horizonte) que conduzo junto com minha amiga Sandra e as mineiras Virgínia e Elisa.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Viajar é preciso

Parafraseando o grande Fernando Pessoa - Navegar é preciso -, para mim, Viajar é preciso. Aliás, é o que mais faço, seja por trabalho ou por prazer. 

Mas o preciso para mim está no campo das necessidades e o Viajar não é só físico mas, principalmente, nos corações e mentes. Tenho a oportunidade de estar em contato com vários executivos e sinto que estamos embotados. Procurando saídas diferentes para os problemas que enfrentamos mas de uma forma racional, ouvindo mais aos números e projeções do que a nossa intuição. E aí, a nossa motivação vai embora. as frustrações aumentam.

Como reativar a inspiração e a possibilidade de maravilhar-se que todos temos ? Como escutar o coração e a criança que existe dentro de nós ? Mesmo nos momentos mais tensos (e talvez, justamente nestes), é necessário o acesso a estas esferas. 

Tenho procurado ir mais para a natureza, enxergar momentos mágicos que o céu nos oferece - o nascer e o pôr do Sol, as nuvens,as formações das chuvas,  o perfil das montanhas...Conversar com as crianças, escutar as perguntas e as formas de ver o mundo também abrem portas para este universo. Exercitar alguma atividade artística - pintar, tocar um instrumento...Fale besteira para você mesmo e ria de coisas bobas, dos seus erros. 

Se tiver algum receio, faça um exercício bem simples : escreva por um tempo (30 minutos) com a mão que não está acostumado (troque a direita pela esquerda e vice-versa)...Depois, sem se preocupar com a qualidade da escrita, sinta o que isso gerou em você. Repita algumas vezes....

Além disso, viaje ! Vá para outros lugares e converse com quem encontrar. Mas, procure assuntos diferentes dos que está habituado. É tão fácil voltar a falar do que nos é conhecido...

E não seja tão preciso! Afinal, sempre chegamos a algum lugar quando estamos disponíveis para caminhar!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quase 6 meses....viajando por aí

Nossa! São quase seis meses sem escrever no meu próprio blog e com tanta coisa que aconteceu e está acontecendo...Vou tentar recuperar!

Primeiro os dias maravilhosos no Vale do Rio Douro em Portugal e a descoberta da origem de palavra Miradouro (aliás, estou cada vez mais impressionado com a origem e significado das palavras). Lá, sentado num varandão do hotel, apreciamos o que mais a região tem - paisagens...Lindas, estáticas, como se a vida não passasse de uma brisa agradável e um bom cálice de vinho. Ou seja, mirar o douro é espetacular!

Depois, a conferência da ASD em Tomar - boas conversas, reencontros e uma descoberta linda sobre a história do pássaro  Fênix e sua aplicabilidade em processos de mudança organizacional e pessoal.

Em seguida, Istambul (antecipamos a nova novela,Salve Jorge) e a Grécia, com seus templos e histórias vivas e revividas pelo estudo de cada participante do grupo. Muita alegria e companheirismo.

E agora, mais recentemente, as viagens para estimular os vários grupos do Germinar pelo Brasil e exterior. Fui a Curitiba, Gravatá e Buenos Aires e já está programada a ida a Belo Horizonte e a Santiago. É de alegrar o coração ver o movimento que o Germinar causa nos participantes e o interesse naqueles que escutam as histórias contadas. Sinto que uma rede forte está se formando para uma transformação pessoal e social daqueles que participam e daqueles que são tocados pelos agentes da rede.

Tem tanta coisa para atualizar mas fico por aqui! Interessados em mais detalhes e dicas de viagem mandem seus pedidos...



domingo, 20 de maio de 2012

A arte de reconhecer

Uma das coisas mais iluminadas da vida é percebermos as pessoas se desenvolvendo e alcançando os seus sonhos. Para quem tem filhos, isso é claro! Qual pai ou mãe não se emociona ao ver seus rebentos numa jogo de futebol ou numa apresentação de balé ? Para que conter as lágrimas ? Elas lavam a nossa alma e deixam mais claro o que realmente admiramos.

Vivemos em constantes comparações e cobranças - de nós mesmos e do mundo - e esquecemos do quão importante é reconhecer a nossa própria luz e, muito mais, demonstrar o reconhecimento pelas atitudes e feitos dos outros.

Nesta semana, tive momentos de superação e de pura alegria interior por outras pessoas superarem seus desafios.

O meu momento foi o de demonstrar a um cliente a minha capacidade de me adequar às suas necessidades e cultura sem deixar de ser eu. Após um workshop realizado há 3 anos atrás, a empresa ainda guardava uma imagem ruim a cerca da minha condução. Fui chamado por um colega que,reconhecendo minhas qualidades, bancou a minha presença num novo trabalho. Entrei um pouco nervoso mas logo percebi que bastava traduzir a minha essência em formas mais adequadas a quem estava assistindo ao treinamento. Sem pensar muito mas, com a meta do servir bem, consegui me perceber atendendo aos anseios e ser reconhecido como sereno e com experiência. Cheguei ao final dos 4 dias com uma tranquilidade de ter feito bem e o bem.

Uma outra situação foi o excelente "debut" de Sílvio Urbano como chef num restaurante. Além da comida gostosa e do ambiente amigo e acolhedor no Gioconda Café (centro do Rio de Janeiro), pude me alegrar com o amor e a dedicação colocadas por ele na difícil tarefa de cozinhar para um grupo grande de pessoas. Era uma primeira vez e,claro, o nervosismo tomava conta do seu semblante. Mas, com o carinho e o reforço positivo de quem o cercava, deu tudo certo! Seu rosto iluminado e o reflexo disso nos convidados da noite me encheu do bom orgulho e da certeza que o retorno de muitos de nossos atos vem por caminhos maravilhosos e dirigidos por outros.

Não precisamos ser mesquinhos e nem medrosos de reconhecer os outros. Não somos mais humildes ou menores ao fazer isso. Ao contrário, é como se nossa própria luz, nosso Eu Superior, se irmanassem à luz da outra pessoa, fazendo com que também nos reconheçamos na nossa beleza,bondade e verdade.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Charme na Avenida Brasil

Acho que já disse quanto sou noveleiro e gosto de falar do assunto quando a novela me pega de jeito. Este é o caso de Avenida Brasil! Texto, direção e interpretações primorosas. A Globo quer conquistar a classe C mas, pelo menos no tratamento dado à obra, maravilha todas as outras classes. O que são os diálogos do Marcos Caruso e Eliane Giardini ? A Suellen,superperiguete, de Isis Valverde ? O lixão cenográfico ? A vilã de Adriana Esteves ?
Tudo acontece tão rápido que me pergunto como vão ser os mais de 150 capítulos pela frente. Se manter o pique, a música e a dança com coreografias charmosas, tem tudo para ser um estouro...Depois de "A Favorita", João Emanuel vem com uma história legal e a direção da Amora Mautner (Cordel Encantado - outro sucesso) imprime uma marca bem diferente da novela anterior. Que a Avenida Brasil continue ligando oeste,norte,centro e sul da cidade cenográfica maravilhosa da telenovela brasileira.

sábado, 31 de março de 2012

Águas de março

Ficar quase um mês sem escrever não tem desculpas! Por isso, faço uma retrospectiva de bons momentos vividos neste março de 2012.

Começo pela homenagem ao meu pai, falecido há 18 anos. Todo ano fazemos o ritual de ir a sinagoga no sábado e ao cemitério no domingo. Durante a reza, o rabino comentou sobre motivação, contando uma história interessante.

Numa escola de rabinos, o aluno preferido do rabino-mestre teve que ir para a guerra, o que deixou o mestre muito apreensivo. Depois de meses sem notícias, ele achou que algo sério tinha acontecido com o aluno. Um dia, quando estava em seu escritório com o assistente, entra um outro aluno e diz: "Mestre, tenho uma ótima notícia! Seu aluno preferido está bem e voltará à nossa escola". O mestre, aliviado, disse: "Que ótima notícia! Você alegrou a minha vida". No dia seguinte, um outro aluno entra e diz :"Mestre, tenho uma ótima notícia! Seu aluno preferido está bem e voltará à nossa escola". Ao que o mestre responde: "Que ótima notícia! Você alegrou o meu dia e a minha vida". No terceiro dia, um outro aluno entra e diz :"Mestre, tenho uma ótima notícia! Seu aluno preferido está bem e voltará à nossa escola". O mestre, mais uma vez, responde: "Que ótima notícia! Você alegrou o meu dia e a minha vida".
Após este aluno sair, o assistente que ouviu a mesma história 3 vezes, perguntou ao mestre: " Mestre, queria entender porque o senhor se emociona a cada vez?". O rabino diz:"Realmente, na primeira vez, fiquei muito emocionado com a notícia. Quando os outros alunos vieram me contar, com seu coração alegre em me alegrar, pensei :"como posso responder a eles com a mesma alegria com a qual eles chegaram aqui? não tenho o direito de esfriar o coração de quem quer me alegrar!". Ao ouvir esta história, me percebi esfriando vários corações com a resposta de "já sei!" Aposto que todos passamos por este balde de água fria...

No domingo, com a minha irmã, vivi um momento emocionante em frente ao túmulo do meu pai quando choramos a saudade que temos dele mas,principalmente, os valores positivos e bem humorados que vivemos com ele. O choro não foi de tristeza mas de lembrança. Como queremos ser lembrados ? Pelos gritos que demos ou pelos sorrisos e gentilezas que distribuímos ?

Vários outros momentos poderiam ser contados :
- a alegria de ver as turmas do Germinar (programa de formação de lideranças para o 3o setor) recomeçando pelo Brasil afora
- as manhãs, tardes e noites vendo as finais da Superliga de Vôlei
- assistir a estréia da nova novela das nove e as cenas tristes mas líricas no lixão
- as conversas com meus amigos sobre vida e trabalho

Enfim, foram as águas de março fechando o verão, promessa de vida no coração.

sábado, 10 de março de 2012

Da culpa do tempo livre

Desde que saí da outra consultoria na qual trabalhava (14 anos atrás) , me coloquei uma meta que toda sexta-feira à tarde, seria dedicada a encontrar amigos e ter tempo livre. Consegui esta proeza por dois meses mas, uma vez em frente ao espelho numa destas sextas-feiras, me peguei falando : "Como você é vagabundo! Todos trabalhando e você indo almoçar com amigos".
Não demorou  muito e já tinha abandonado a decisão. Antes, porém, conversei com minha terapeuta sobre a felicidade do momento e a angústia por sobrar tempo.Ela me respondeu, com sabedoria : "Que bom você ter tempo para ficar com você mesmo". Uau! Isso era assustador!
Achei que já havia superado esta culpa pois acabei criando espaços na agenda para curtir o que gosto e até ficar sozinho. Mas não é que,no sábado passado, após terminar um trabalho de 2 horas num hotel maravilhoso na Praia do Forte, fiquei em um longo processo anímico (cronologicamente foi rápido,uns 15 min) para decidir se eu tinha direito a ir a praia e beber uma caipirinha,enquanto o grupo continuava a trabalhar. Acabei,colocando a sunga e tomando um pouco de sol e percebi que, sempre, a única censura é nossa.
Como é ir  ao cinema no meio da tarde num dia útil ? Ter um almoço muito demorado ? Ler um livro na praia numa manhã "normal"? Mesmo de férias, às vezes, nos repetimos na nossa rotina, nos entupindo de atividades e voltamos mais cansados.
A promessa de uma tecnologia que daria mais lazer não vingou e a única coisa que nos libera é a firme consciência de que precisamos de um tempo para nós mesmos, para nos reconectarmos com a nossa essência,com o melhor de nós. No tempo e espaço que for necessário. Sem culpa!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A arte e algumas dicas

Acabei de comprar uma Fotobiografia do Fernando Pessoa. Além da maravilhosa produção, vale a pena se deliciar com a história e as fotos deste poeta português e seus pseudônimos/personalidades.

Como não existe acaso, abri numa página onde está escrito (de Fernando Pessoa):

"A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual da emoção, distinta da vida, que é a expressão volitiva da ação. O que não temos,ou não ousamos,ou não conseguimos,podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que,embora reduzida a ação, a ação, a que se reduziu, não a satisfaz;com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve".

Acredito que todos somos artistas de um jeito ou de outro.Assumir isso é difícil pois resulta em falar das diversas emoções e as canalizações que fazemos delas. Como não usamos tanto a arte, nossas emoções ficam represadas e as maravilhosas obras que podemos fazer no mundo ficam recolhidas em nosso íntimo. Por que não nos tornamos mais artistas ?

Por falar em emoção, vi vários filmes neste período carnavalesco que me emocionaram :
"A invenção de Hugo Cabret" - uma homenagem ao cinema, "Histórias Cruzadas" - uma história bem contada e maravilhosamente interpretada e "A Dama de Ferro" - uma interpretação soberba da (já eterna) Meryl Streep sobre uma personagem marcante do século XX. Além de "O artista" - uma dose de coragem filmar em preto e branco e fazer um filme mudo (que ator carismático é o Jean Dujardin".

Bem, ficam as dicas e a pergunta!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Rodapouco em terras madrilhenhas

Como gosto de caminhar bastante em viagens, recebi o apelido de Rodapouco. Meus amigos dizem que não há distância para mim que seja longe o suficiente para ir de metrô. Acho um certo exagero mas reconheço que adoro passear pelas ruas de cidades que pouco conheço, admirar sua arquitetura, seus jardins e praças, os tipos humanos que passam ao meu lado.

Acabei de voltar de uma semana de férias em Madrid e, superando a eterna comparação com Barcelona - coisa de rivalidade Rio-São Paulo -, me deliciei com as várias andanças pelo seu centro e arredores.

Começando pelo apartamento, alugado com a Spain Select, numa região central da cidade mas super silencioso, bem decorado e aconchegante. Perto do Mercado San Miguel, uma excelente opção para comer tapas e tomar um bom vinho num ambiente com gente muito bonita.

Os museus - Prado, Thyssen e Sorolla - me alimentaram a alma com seus quadros bem expostos e seus espaços harmoniosos. Volto sempre com muitos cartões e livros.

Se você olhar para o alto, Madrid oferece uma arquitetura bem conservada, com estátuas em vários prédios e seus balcões com desenhos superelaborados. Se olhar para frente/baixo, temos as fontes e praças que parecem dar uma parada no desenho das ruas para que possamos respirar.

O profissionalismo do futebol é visto no Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid. Desde a infraestrutura até o término na loja, você vê os troféus,os jogadores, a história, o campo, os vestiários...Um grande barato!

Comemos várias tapas em tabernas e restaurantes,além da cidra(ou sidra em espanhol). Algumas dicas - Espaço Gastromaquia (Chueca), Mercado San Anton (outro em Chueca), a rua de Cuevas Bajas (perto da Plaza Mayor), as tabernas da Calle de Las Huertas....

Enfim, com uma trupe de respeito (Sandra,Vânia e Sílvio), Rodapouco e deliciou nas terras de Cervantes...



De ser ridículo

Janeiro é mês de férias escolares e de ficar alguns dias no Hotel Fazenda com a criançada. Neste ano repetimos o Mazzaroppi (Taubaté) pois a equipe de recreação é muito boa!  As crianças fazem muitas atividades, a comida é boa e, nós, crianças mais velhas, nos divertimos com piadas, jogos de mau-mau, entre outras coisas.

Todo final de manhã tínhamos hidroginástica com o "Tio Pão" e suas coreografias. De repente, me vi, com mais umas 30/40 pessoas, dançando o hit do Michel Teló (Ai, se eu te pego) com mãozinhas para cima e para baixo, reboladinhas, e com uma batida na água para comemorar o seu final. A cada vez, saía sorrindo da piscina e vendo a alegria de todos ali.De fora, parecia ridículo!

Mas como faz bem sermos ridículos! Aprisionados nas convenções sociais e comportamentos esperados, às vezes, deixamos de nos desafiar e aprender para ficarmos na zona de conforto.  Deixar a autocensura de lado, perguntar o que não sabemos, tentar coisas que nos são estranhas, se permitir ser criança no corpo e na cabeça de adulto.

Refresca, ilumina, oxigena, alimenta e nos enche de possibilidades de podermos ser mais e sermos nós! Encontrando-se com estes limites, percebemos quão frágeis eles o são e podemos definir quais são realmente os nossos...

O que é ser rídiculo para você? Há quanto tempo você não se permite ser ridículo? Tente !

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tardes de Cinema

Desde a adolescência, sonhava em escrever uma autobiografia com este nome. As minhas tardes eram preenchidas com as estreias (que antes eram às segundas-feiras) de filmes das mais diversas tendências. Acho que queria, além de poder fazer críticas, sonhar com as imagens que passavam na tela. Os cinemas eram na rua,imensos, lindos, pipoca de pipoqueiro, drops de baleiro e muitas saudades. 

Comecei o ano, além das festas, voltando a passar minhas tardes no cinema (agora no shopping, com som ultradolbysurround3D,inclusive da plateia com seus baldes de pipoca amanteigadas e coca-cola litro em copo).

Vi 2 filmes bem legais :
- "O Último Bailarino de Mao" - é quase impossível não chorar com a história real deste bailarino chinês que vai para os EUA
- "Tudo pelo Poder" - George Clooney dirigindo e atuando, Ryan Gosling com suas dúvidas existenciais, Paul Giammatti,Phillip Seymour-Hoffman e outros numa história política e bastante humana sobre idealismo e a sua perda, que nos envolve desde o início e não larga até o fim.

Além disso, vi um excelente filme no NOW (serviço digital da NET) que ,acredito, não passou nos cinemas. Uma história de pai e filho,com Christopher Plummer - um pai de 75 anos que se declara gay para o filho (Ewan McGregor). Sensível, bem dirigido e interpretado, o filme se chama " Toda Forma de Amor". Em inglês, o título é "Beginners" - Iniciantes, que é bem mais adequado à história.

Ficam aí algumas dicas para quem gosta da 7a. arte!